pauliteiros
Desde tempos imemoriais, certamente pré-cristãos, os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo têm actuado anualmente na festa local de celebração das colheitas, num Domingo festivo de Setembro há muitos séculos dedicado a Santa Bárbara, como protectora contra trovoadas, coriscos e outras intempéries que destroem o fruto de penosas fainas agrícolas.

O cerimonial daquele dia festivo de Setembro corresponde a um ritual e a um simbolismo deveras curioso, desde o romper da aurora, com o toque da “alvorada”, com gaita de foles e o acompanhamento da praxe. Mas os novos tempos, as dificuldades e carências sociais da época, vieram perturbar a partir dos anos 60, a manutenção desta incalculável riqueza de carater folclórico e vivência popular. Foi assim que, depois de 20 anos de esmorecimento e interrupção, esta preciosa tradição dos Pauliteiros foi reactivada em 1978, posteriormente assumida e valorizada pela Associação Cultural De Palaçoulo, a par de outras expressões da cultura popular local, como língua autónoma, integrada na grande família românica. A partir de então os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo têm abrilhantado garbosamente a sua festa anual, dedicada a Santa Bárbara, bem como têm sido portadores da mesma mensagem do seu Folclore por inúmeras localidades do País, assim como pelo estrangeiro.
São danças masculinas, viris, de origem predominantemente guerreira, em Mirandês dominadas “lhaços” mas, que também constituem celebrações plenas de bucolismo agro-pastoril, de carácter familiar, lendário e agrícola. Remontam às antiquíssimas danças das espadas, de origem indo-europeia, trazidas pelos Celtas para este especial rincão Mirandês, onde se conservaram até ao presente, a par de outras especificidades que o caracterizam como diferente e único . Tudo um conjunto e uma envolvência de mistério radicado nos remotos tempos das suas origens indo-europeias.